Domingo, Julho 14, 2024
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UNITA: ″2022 ficou marcado pela mais renhida disputa eleitoral em que vencedores cederam para evitar desnecessário banho de sangue″, diz ACJ, que quer reformas na CNE

Adalberto Costa Júnior, presidente da UNITA, diz que 2022 ficou marcado pela mais renhida disputa eleitoral “em que os vencedores cederam para evitar banho de sangue”, e defende reformas na Comissão Nacional Eleitoral (CNE) “para se acabar com golpes de Estado institucionais”.

O presidente da UNITA, que discursava na cerimónia de cumprimentos de fim de ano, em Luanda, declarou que o “banho de sangue” pós-eleitoral foi “projectado” e pré-anunciado com a exibição de “um portentoso desfile e exibição pública de forças castrenses prontas a agir, para, de entre outros fins, silenciar as forças democráticas da sociedade por outras dezenas de anos”.

ACJ destacou, no seu discurso, que “apesar da batota”, o seu partido conseguiu “formatar, pela primeira vez em 45 anos, um Parlamento que retirou a maioria qualificada do MPLA”.

Segundo o líder UNITA, por causa de uma “visão inclusiva, anunciada e explicada” dentro e fora do país, o seu partido obteve, “em nome e no interesse das forças democráticas uma das mais significativas vitórias depois da paz armada”.

“O regime construiu-se na cultura da hegemonia e os tempos apontam para a reforma das mentalidades e do tudo quero, tudo posso, tudo mando. Por Angola tudo é possível realizar abraçando a cultura do diálogo e a reforma incontornável do Estado partidário”, reforçou.

Adalberto Costa Júnior deixou a garantia de que a UNITA e os seus parceiros da Frente Patriótica Unida (FPU) não vão abdicar de “exigir” que o Presidente da República seja eleito directamente pelos cidadãos e “não à boleia de eleições para o parlamento”.

E defendeu uma reforma na Comissão Nacional Eleitoral: “A CNE deve, neste ciclo legislativo, ser alvo de medidas de reforma prioritárias, de maneira a acabarmos com os golpes de Estado institucionais”, declarou.

Para Adalberto Costa Júnior (CJ) este foi um ano de “sucessivas batalhas, do retorno às prisões políticas de jovens activistas e de intimidações de todo o tipo”.

“Tentativas de supressão do direito à livre expressão dos jornalistas, do vilipendiar dos direitos dos professores e estudantes por condições mais dignas e salários mais justos” também se sucederam, segundo ACJ, que afirmou igualmente que “foi um ano em que continuou esquecida a agricultura familiar e o apoio às micro e pequenas empresas”.

Criticou, na sua intervenção, a proposta governamental de aumento do número de municípios angolanos, que deve sair dos 164 para 581, considerando que a mesma visa “alterar os círculos eleitorais para melhor esbater o voto urbano, de protesto, com desenhos administrativos em que é o governante que pretende reorientar o voto”.

A UNITA e seus parceiros, garantiu, “não abdicarão de exigir a subida para dois dígitos, realizáveis, do Orçamento Geral do Estado (OGE) para a educação e saúde e de exigir que o Presidente angolano seja constitucionalmente limitado em contrair dívidas sem autorização do Parlamento e adjudicar contratos sem concursos transparentes”.

Para o presidente da UNITA, o País transita para 2023 transportando na bagagem a “crença de que a alternância em Angola” está ao alcance, desde que se reconfigure “a conjugação dos mais amplos esforços da sociedade, ávida por mudanças e cansada da corrupção endémica, do roubo do património e dos recursos do Estado”.

“Em 2023, teremos de ter uma melhor Angola para todos. Temos de dizer basta às violações das liberdades individuais e dos direitos humanos. Juntos, teremos de ter criado políticas capazes de inverter a rota de fuga dos quadros, especialmente dos jovens que estão a abandonar Angola após as eleições”, afirmou Adalberto Costa Júnior.

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