
Estudar longe de casa é um grande desafio, especialmente no período nocturno, quando o acesso aos transportes públicos e privados se torna escasso e chegar aos bairros fica mais perigoso devido à criminalidade. Apesar disso, muitos menores de 18 anos em Angola são submetidos a esses riscos para os quais se vergam em nome do sonho de “ser alguém”.
São, na maioria, cidadãos menores provenientes de várias zonas de Luanda, que tiveram de se submeter a este regime de ensino por conta da Lei de Bases do Sistema de Educação aprovada em 2020, segundo a qual os jovens que ingressam no II ciclo do ensino secundário (ensino médio) a partir dos 16 anos devem, em muitos casos, frequentá-lo no período nocturno.
Ao NJ contam os dilemas pelos quais cada um passa de segunda a sexta-feira para não faltar às aulas.Uma das pessoas é Maria Adão Manuel, estudante de uma escola do ensino médio, no 1.º de Maio. Residente no Kapalanga, município de Viana, a aluna de 16 anos lamenta os problemas que enfrenta, realçando a distância de casa para a escola, bem como a dificuldade dos transportes no regresso.
“Temos aulas das 18 às 21 horas. Ao sair de casa é mais tranquilo, há muitos autocarros que vão da paragem do Kapalanga ao 1.º de Maio. O principal caos consiste no regresso à minha residência… não há autocarros em circulação, e os táxis ficam cada vez mais difíceis! Mas não desisto”, diz. A educanda da 10.ª classe do curso de Contabilidade e Gestão conta que nunca lhe passou pela cabeça que, com essa idade, estudaria no turno da noite.
Fonte: NJ



