Os protestos anti-imigração na África do Sul estão a assumir contornos considerados graves, com sinais de possível escalada, num contexto em que as autoridades enfrentam limitações operacionais para conter os distúrbios.
O alerta foi lançado pelo jurista sul-africano Andre Thomashausen, que aponta para um agravamento do clima de insegurança, associado ao recrudescimento de tensões xenófobas no país. Segundo o especialista, estes episódios não são isolados, mas sim recorrentes, e tendem a degenerar em actos de violência dirigidos a cidadãos estrangeiros, sobretudo oriundos de outros países africanos.
Nos últimos dias, os protestos têm sido marcados por ataques a estabelecimentos comerciais pertencentes a imigrantes, saques e confrontos em zonas urbanas sensíveis, com maior incidência em áreas periféricas de Joanesburgo, o principal centro económico do país.
Entretanto, o consulado da Nigéria em Joanesburgo confirmou a morte de dois cidadãos nigerianos na sequência dos distúrbios, elevando o nível de preocupação entre as representações diplomáticas africanas.
Face ao agravamento da situação, a embaixada de Angola, bem como autoridades da Nigéria, Zimbabwe e Gana, emitiram recomendações aos seus cidadãos para evitarem deslocações desnecessárias, manterem-se afastados de zonas de risco e adoptarem medidas de precaução.
Analistas consideram que a persistência destes episódios está ligada a factores estruturais, como o elevado desemprego, desigualdades sociais profundas e percepções negativas em relação à imigração, frequentemente exploradas em contextos de tensão social.
Apesar dos apelos à calma, o cenário permanece volátil, com receios de novos focos de violência caso não haja uma resposta eficaz das autoridades sul-africanas para restabelecer a ordem e garantir a protecção das comunidades estrangeiras.
Fonte: CK



