quinta-feira, junho 20, 2024
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Barril volta a passar em alta os 86 USD com pressão da chegada dos sauditas aos BRICS, o furacão ″Idália″ no Golfo do México e queda nas reservas norte-americanas

O barril de crude Brent, que determina o valor médio das ramas exportadas por Angola, está esta manhã de quarta-feira, 30, a valorizar de forma significativa, respondendo principalmente aos ventos do furacão “idália” que atormentam as plataformas no Golfo do México.

Mas não é só do mau tempo no sul dos EUA e norte do México que se alimentam estes ganhos no sector do petróleo, também o consumo em alta nos EUA, medido pela redução inesperado do inventário norte-americano feito pelo Instituto Americano do Petróleo, e ainda a “sombra” ameaçadora da entrada da Arábia Saudita, do Irão e dos dos Emiratos Árabes Unidos nos BRICS.

E é este contexto que justifica que, perto das 11:00 desta quarta-feira, 30, hora de Luanda, o barril de Brent estivesse a valer 86,02 USD, mais quase 0,59%, que no fecho de terça-feira.

Todavia, este momento de subida no valor do crude pode ser curto, visto que os efeitos do furacão “Idália” estão, para já, a ser menores que o inicialmente esperado, levando a uma diluição da gravidade do diagnóstico feito pelos mercados, tendo obrigado à evacuação de “apenas” três plataformas, quando, em ocasiões semelhantes no passado, foram evacuadas dezenas.

O que tende a perpetuar-se, embora esse dado não esteja nas prioridades dos media ocidentais que se dedicam ao sobe e desde dos marcados petrolíferos, e a entrada prevista para Janeiro de 2024 de três gigantes dos hidrocarbonetos nos BRICS, juntando-se ao Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul a Arábia Saudita, o Irão e os Emiratos Árabes Unidos, além dos africanos Egipto e Etiópia, ou ainda a Argentina.

O que faz tremer os mercados petrolíferos e as grandes economias ocidentais, quase na totalidade entre os grandes consumidores de crude, é que com este alargamento, esta organização passa a contar no seu seio com dois dos três maiores produtores e exportadores do mundo, sauditas e russos, só igualados pelos norte-americanos, mas também outros exportadores relevantes, como são o Brasil, o Irão e os Emiratos, ou ainda o Egipto, também produtor, embora de menor relevância.

E se os interesses deste grupo, que, após alargamento vai abranger mais de 50% da população do planeta, produzirá quase dois terços do crude mundial e responderá, largamente, por mais PIB global que o G7, forem direccionados para manter o crude em alta, então nada nem ninguém poderá travar a manutenção do barril acima dos 80 USD pelo tempo que estes players quiserem, sendo que ficará facilitada o desenho de acordos excepcionais com a China e a Índia, dois dos maiores importadores do mundo, como, de resto, já sucede em larga medida com Rússia, China e Índia, mas também com a Arábia Saudita e a China…

Situação vista de Luanda

Para Angola, que é um dos produtores e exportadores que mais dependem da matéria-prima em todo o mundo, devido à escassa diversificação económica, esta consolidação dos preços do Brent largamente acima dos 85 USD é uma boa notícia, porque permite diluir os efeitos devastadores da crise cambial e gera superavit face ao valor de 75 USD por barril com que foi elaborado o OGE 2023.

Se continuar assim por muito tempo, as consequências podem ser bastante positivas porque o sector petrolífero continuará a gerar superavit que serve ao Governo para investir além do básico. E os riscos de subfinanciamento do Estado face aos compromissos assumidos no OGE, podem ser reduzidos, devido ao papel insubstituível, para já, das receitas petrolíferas no PIB.

O petróleo representa hoje, ainda, mais de 90% das suas exportações, corresponde até 35% do PIB e garante cerca de 60% dos gastos de funcionamento do Estado.

Aliás, o Governo de João Lourenço tem ainda como motivo de preocupação uma continuada redução da produção de petróleo, que se estima que seja na ordem dos 20% na próxima década, estando actualmente pouco acima dos 1,1 milhões de barris por dia (mbpd), muito longe do seu máximo histórico de 1,8 mbpd em 2008.

Por detrás desta quebra, entre outros factores, o desinvestimento em toda a extensão do sector, deste a pesquisa à manutenção, quando se sabe que o offshore nacional, com os campos a funcionar, está em declínio há vários anos devido ao seu envelhecimento, ou seja, devido à sua perda de crude para extrair e as multinacionais não estão a demonstrar o interesse das últimas décadas em apostar no país.

A questão da urgente transição energética, devido às alterações climáticas, com os combustíveis fosseis a serem os maus da fita, é outro factor que está a esfumar a importância do sector petrolífero em Angola.

Fonte: NJ

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