
A não inserção de alguns taxistas na caixa social do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) é um tema com que estes profissionais e os organismos que os representam e defendem continuam a debater-se. Esta reportagem mostra como o incumprimento deste direito, por parte dos patrões, consagrado na lei, pode levar estes trabalhadores a uma aposentadoria falida, mesmo depois de longos anos de trabalho
A equipa de jornalistas contactou dois taxistas que, por uma questão de segurança, preferiram não dar o rosto. Mas, ainda assim, não hesitaram em contar a sua experiência na condução de táxis, um trabalho que exercem há mais de dez anos, e com o qual sustentam famílias.
Foi na paragem adjacente às Torres Dipanda, no Largo do 1.º de Maio, que se abordou o primeiro dos entrevistados. O relógio apontava para os primeiros minutos do meio-dia e, por isso, o Hiace no qual trabalha se encontrava estacionado, com ele no seu interior a degustar o almoço. Isto, porém, não lhe impediu de convidar o jornalista a entrar para dar início à entrevista.
“Sou taxista há mais de 20 anos”, começou por afirmar, contando que começou aos 12 anos quando ainda era cobrador, tendo sido levado por amigos do bairro. A entrada prematura no mundo do trabalho levou João, como lhe vamos tratar, a passar, primeiro, a estudar de noite e, mais tarde, a abandonar os estudos ainda na 8.ª classe, no Colégio José Martins, no Cassequel do Lourenço.
João conta que cresceu no Cassequel do Lourenço, bairro onde vive até hoje e faz, vez ou outra, as vias de táxi. Depois de cobrar táxi por algum tempo, o indivíduo de 39 anos passou a conduzir, conhecendo durante o percurso o seu patrão, com quem trabalhou por longos anos. Com este já não trabalha há um ano.
“Além de estressante ser taxista, é muito cansativo. As pessoas têm a ideia errada de que o taxista é analfabeto”, lamentou, explicando que a profissão que exerce é mais um refúgio para col matar a necessidade do que uma escolha.
No seu caso, por exemplo, apesar da contestação do pai no início, João quis ter o ‘poder’ de conseguir as coisas por si, sem, para isso, depender dos pais, que ganhavam o básico para alimentar os dez filhos.
Actualmente, João de pende de “falida”, uma forma de solicitar a amigos taxistas que disponibilizem os carros durante alguns dias para conseguir alguma remuneração, que varia entre 60 e 70 mil, e deve ser dividida entre o cobrador e o motorista, bem como retirada a parte do dono do carro, que equivale à metade do valor. Isto deve-se ao facto de já não estar com o patrão há um ano, altura em que este decidiu vender o carro.
Perguntado sobre se alguma vez foi inscrito na caixa social do INSS, o jovem de 39 anos conta que a única vez que foi inscrito neste sistema foi quando trabalhava na Refinaria da Petrangol, onde trabalhou como motorista durante algum tempo, mas teve de sair por conta do vencimento do contrato.
João afirma que perdeu o cartão que ates tava a sua inscrição na caixa, mas pensa em ir tratar novamente. Este, porém, não lhe foi atribuído enquanto taxista.
Fonte: OPAÍS



