
Um oficial superior da Polícia Nacional (PN), afecto ao comando municipal so Talatona, em Luanda, está a ser julgado, com mais sete elementos, acusados de terem assassinado um cidadão de 38 anos, Gaspar Lopes Martins, cinhecido por “Guigui”, motorista de táxi por aplicativo da Yango, em Setembro de 2025, num matagal na Zona Verde, no bairro Benficam soube à imprensa.
Os oito elementos são acusados pelo Ministério Público (MP) dos crimes de homicídio qualificado, três crimes de roubo, fabrico, detenção e alteração de armas e munições proibidas e associação criminosa.
O oficial superior da Polícia, o arguido Daniel dos Nascimento Branco, de 46 anos, é apontado pela acusação como o fornecedor de armas e munições ao grupo criminoso, que simulava solicitar corridas de táxi por aplicativo, preferencialmente da Yango, para assaltar os motoristas e roubar as viaturas.
Só que, muitas das vezes, os assaltos terminavam em mortes, e foi o caso do de Gaspar Lopes Martins, “Guigui”, residente na Rua da USA, no bairro Tala-Hady, município do Cazenga, que saiu de casa, como era habitual, para trabalhar, e nunca mais voltou.
“Guigui” terá recebido uma solicitação de corrida, como é prática na actividade de táxi, por volta das 22h40 do dia 26 de Setembro de 2025, tendo-se deslocado ao bairro Rocha Pinto para atender o cliente.
O destino indicado era o bairro Quenguele, no Benfica, e, ao iniciar a corrida, entraram quatro passageiros que, alegadamente, pretendiam assaltar o condutor e apropriar-se da viatura.
Durante o percurso, já nas imediações de uma bomba de combustível da Pumangol, um dos arguidos simulou que pretendia urinar e solicitou à vítima que parasse a viatura.
Logo que a viatura parou, outro arguido anunciou o assalto, apontando uma arma à vítima, fazendo-lhe fortes ameaças de morte e agredindo-a.
Outro arguido desferiu vários golpes por todo o corpo da vítima, enquanto um terceiro lhe apertava uma corda no pescoço, fazendo-a perder os sentidos.
De seguida, os meliantes transportaram a vítima para uma zona isolada da Zona Verde, no Benfica, onde foi submetida a várias torturas, tendo-lhe sido aplicadas cerca de 10 injecções com água de bateria no pescoço.
Consta da acusação que, apesar das agressões, a vítima ainda tentou lutar contra um dos assaltantes, mas não resistiu às injecções nem ao espancamento, acabando por morrer naquela noite.
Os marginais, que alegadamente tinham como líder o oficial superior da Polícia, levaram os pertences da vítima, dois telemóveis, valores monetários e a viatura, abandonando o corpo num matagal.
A vítima esteve desaparecida, facto que levou a família a participar o caso às autoridades e a iniciar as buscas.
Familiares, amigos, vizinhos e colegas partilharam o seu desaparecimento nas redes sociais l, e, no dia 28 daquele mês, o corpo foi encontrado na Morgue Central de Luanda, após a Polícia ter sido informada por populares da existência de um cadáver no matagal.
Após o assassinato do motorista da Yango, a viatura, um Hyundai i10, foi comercializada pelos arguidos a um cidadão pelo valor de 2,8 milhões de kwanzas.
São arguidos no processo Daniel dos Nascimento Branco, Denilson Beyebe, Pedro Juvelino, Mariano Muhungo, João Pedro, Bento Ngamba, Wilson Tomás e Daniel Luís.
Fonte: NJ



