Governo do Bengo diz ter atendido cerca de 90% das reivindicações e classifica greve dos enfermeiros de “ilegítima”

O Governo Provincial do Bengo garante ter atendido 13 dos 15 pontos reivindicativos apresentados pelo Sindicato Nacional dos Enfermeiros de Angola (SINDEA), correspondendo a cerca de 90% das exigências, e por isso, considera a anunciada greve como ilegítima e motivada por razões inconfessas.
Em conferência de imprensa realizada na sexta-feira, 11, o director do Gabinete Provincial da Saúde, Matondo Alexandre assegurou que as reivindicações atendidas abrangem questões de competência do governo provincial. Segundo o responsável, as outras duas restantes, de natureza administrativa, “não dependem do Governo Provincial do Bengo, mas estão a ser analisadas a nível superior”.

“Não há fundamentos plausíveis para a anunciada greve”, declarou Matondo Alexandre, que reiterou o reconhecimento do papel dos enfermeiros na prestação de cuidados de saúde à população.
Entretanto, o director do Gabinete Provincial das Infra-estruturas, Laurindo Aníbal, em resposta a uma das principais reivindicações dos enfermeiros, anunciou a disponibilização de lotes para autoconstrução no município do Panguila para profissionais da saúde e de outros sectores.
Segundo o governante, os terrenos estão a ser preparados para os respectivos loteamentos e o processo vai prosseguir noutras localidades da província “a breve trecho”.
A concluir, o director da Saúde apelou à “responsabilidade e compreensão” dos profissionais, lembrando que uma paralisação no sector da saúde “afecta directamente os doentes e as famílias que dependem dos serviços sanitários”.
Os enfermeiros do Bengo vão paralisar os serviços a partir desta segunda-feira, 14, em protesto contra o alegado incumprimento de compromissos assumidos pelo Governo da província, com destaque para a atribuição de terrenos aos profissionais da saúde e o pagamento dos subsídios da Covid-19.
A decisão de retomar a greve foi tomada em assembleia-geral do Sindicato dos Enfermeiros no Bengo, perante o que a organização considera falta de resposta às reivindicações apresentadas à administração provincial.
Nesta primeira fase, a paralisação terá a duração de dois dias. Caso as reivindicações não sejam atendidas, os profissionais poderão voltar a cruzar os braços por períodos mais prolongados.
Entre as principais exigências dos enfermeiros estão a atribuição de terrenos aos profissionais da saúde, o pagamento integral dos subsídios da Covid-19, a disponibilização de meios de transporte e a melhoria das condições de trabalho nas unidades sanitárias da província.
O Governo do Bengo assegura, no entanto que os pontos ainda pendentes continuam a ser acompanhados “dentro dos mecanismos legais, administrativos e financeiros disponíveis”.
Fonte: CK


