
Luanda – A subcomissão de candidaturas do MPLA anulou a candidatura de Higino Carneiro à presidência do partido para o IX Congresso Ordinário, marcado para Dezembro deste ano, anunciou esta terça-feira o coordenador daquele órgão, Job Capapinha, na sede do partido, em Luanda. Fontes da equipa do candidato adiantaram, entretanto, que a decisão será impugnada.
Segundo Job Capapinha, a exclusão da candidatura resulta da detecção de “graves irregularidades” durante a análise da documentação apresentada por Higino Carneiro.
Em declarações aos jornalistas, o responsável afirmou que a subcomissão identificou diversas irregularidades, entre as quais alegadas assinaturas falsificadas e a utilização indevida de documentos de identificação, situações que, segundo referiu, poderão configurar ilícitos de natureza criminal.
“Esta subcomissão, perante a gravidade dos factos, passíveis de responsabilização criminal, vai submeter este processo de candidatura aos órgãos competentes do partido para o seu devido tratamento, nos termos previstos no regulamento eleitoral e no Código de Ética do MPLA”, declarou Job Capapinha.
O dirigente acrescentou que os elementos recolhidos serão remetidos aos órgãos competentes do partido para os procedimentos legais considerados adequados.
Equipa de Higino Carneiro vai impugnar decisão
Em reacção à deliberação da subcomissão, fontes ligadas à equipa de Higino Carneiro indicaram à imprensa que a decisão será alvo de impugnação, contestando a exclusão da candidatura e recorrendo aos mecanismos previstos nas normas internas do partido.
Até ao momento, o candidato não se pronunciou publicamente sobre o anúncio.
Com esta decisão, João Lourenço passa, para já, a ser o único candidato cuja candidatura foi aceite pela subcomissão. O actual presidente do MPLA e Presidente da República formalizou a sua recandidatura à liderança do partido em Maio.
Embora a Constituição da República de Angola impeça João Lourenço de concorrer a um terceiro mandato como Presidente da República, uma eventual reeleição como líder do MPLA permitir-lhe-á conduzir o processo de escolha do candidato do partido às eleições gerais previstas para 2027.
De acordo com o regulamento eleitoral do MPLA, os candidatos à presidência do partido devem apresentar o apoio de, pelo menos, cinco mil militantes, distribuídos por todas as províncias do país, assegurando uma base de suporte geograficamente representativa. Para os restantes cargos em disputa, o número de subscritores exigido varia entre mil e 2.500 militantes, em função do nível de responsabilidade.
O prazo para a apresentação de candidaturas termina a 25 de Outubro.
O IX Congresso Ordinário do MPLA realiza-se nos dias 9 e 10 de Dezembro de 2026, em Luanda, sob o lema “MPLA 70 Anos – Compromisso com o Povo, Confiança no Futuro”, devendo reunir cerca de 3.000 delegados de todo o país.
Fonte: A24



