Venezuela: Trump vai ao ″mercado″ comprar uma ilha, avisa Caracas que não pode falar com China e Rússia e ″decreta″ o fim da NATO – China e Rússia mostram as garras

O ano de 2026 ainda mal começou e o Presidente dos EUA já virou o mundo do avesso ao fazer a oferta de compra da Gronelândia que a Dinamarca não pode recusar, mandou fechar os corredores diplomáticos da Venezuela com a china e a Rússia e deu o tiro de partido para o príncipio do fim da NATO, enquanto o assalto à Colômbia e ao Mêxico ficam para a segunda vaga… mas russos e chineses já começaram a mostrar as garras.
Seria muito para um homem só se esse homem não fosse Donald Trump, porque atrás da sua palavra estão as mais poderosas e maiores forças armadas do mundo, como o demonstrou na Venezuela em mais uma operação que parece saída de um guião de Hollywood.
E que o diga a Dinamarca, um país europeu fundador da Aliança Atlântica, que ou vende a Gronelândia a bem ou a mal, só tem de escolher, “porque a opção militar está sempre em cima da mesa” se não for possível fazer o negócio.
A Gronelândia é uma gigantesca ilha, território autónomo da Dinamarca, situada no Atlântico Norte, mais próximo da América do Norte que da Europa, com 2.166.000 km², quase o dobro do tamanho de Angola (1.247.000 km²) e pouca população, apenas cerca de 56 mil habitantes…
… mas vastas reservas de petróleo, minerais raros, com destaque para as terras raras e um acesso privilegiado ao Circulo Ártico, o território actualmente mais disputado do mundo, com russos e chineses de “dedo no gatilho”.
“A bem ou a mal”
E é isso que Donald Trump quer, a bem ou a mal, como o próprio disse horas depois de ter atacado a Venezuela e sequestrado o Presidente Nicolas Maduro, levando-o para ser julgado num tribunal de Nova Iorque: “Vamos comprar a Gronelândia!”.
“Precisamos da Gronelândia por questões de segurança nacional e se não for possível fazer um negócio, vamos usar a força militar para conseguir tomar posse da ilha”, disse Trump, explicando que os EUA não podem permitir que sejam os navios russos e chineses que mais usufruem daquele território de passagem para o Círculo Polar Ártico.
Entre outras valias, a Gronelândia está estrategicamente posicionada face a esta região polar e se os EUA assumirem a sua posse “oficialmente” passam de um actor secundário na exploração do Círculo Ártico para um protagonista da linha da frente, a par da Rússia, com direitos semelhantes aos de Moscovo, actualmente o maior detentor de acesso a essa que é a geografia mais valiosa actualmente em todo o mundo.
É que, com as alterações climáticas, o Ártico passa de um vasto território inacessível para uma região à distância das perfuradoras e escavadoras em busca de petróleo, gás e minérios de todos os tipos.
O novo corredor marítimo
Mas, tão ou ainda mais importante, pelas novas rotas de transporte marítimo que permite, reduzindo em largas semanas o tempo de viagem dos petroleiros e porta-contentores entre o Oriente e o Ocidente, ou seja, entre a China e a Índia e a Europa Ocidental e os Estados Unidos.
Só que este negócio de Trump, que faz lembrar a frase “vou-lhe fazer uma oferta que não pode recusar”, de Dom Vito Corleone, interpretado por Marlon Brando, no famoso filme sobre a máfia italiana nos EUA, realizado por Francis Ford Coppola, “O Padrinho”, tem um preço a pagar que pode ser excessivo, mesmo para Donald Trump… ou talvez não.
É que a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, já disse que o que Trump está a fazer é a “destruir a NATO”, organização militar que foi criada pelos EUA em 1949 para conter os avanços da então URSS na Europa Ocidental e que “ficará sem qualquer propósito” se o “guião” do Presidente norte-americano chegar mesmo a “filme”.
Donald Trump não é “O Padrinho” mas a oferta que está a fazer não poderá ser recusada, mesmo que se cumpra a “ameaça” dos líderes europeus da França, Emmanuel Macron, da Alemanha, Friedrich Merz, e do Reino Unido, Keir Starmer, de se juntarem a Mette Frederiksen para resistir à proposta irrecusável do norte-americano.
Para o demonstrar basta ver o que Trump fez na Venezuela, que em apenas algumas horas sequestrou, com recurso à CIA e a unidades especiais das suas forças militares, o Presidente Maduro e anunciou ao mundo que são agora os EUA que mandam em Caracas.
O segredo de Caracas
Na verdade ninguém sabe ao certo o que está a acontecer na capital venezuelana (ver links em baixo), porque Delcy Rodriguez, que substituiu Maduro, não parece estar disponível para ser um pau-mandado dos “gringos”.
Mas Trump fala como se assim fosse, o que fica explicito quando este ordena ao novo Governo venezuelano que deixe de ter relações políticas com a China e a Rússia.
A notícia é do canal norte-americano ABC que avança como facto que Washington mandou caracas fechar os corredores diplomáticos com Moscovo, Pequim, Havana e Teerão (Irão), fazendo mais uma “oferta” que Caracas não pode recusar: ou corta os laços com estes países ou não voltará a vender petróleo nos mercados internacionais.
Segundo a ABC, os norte-americanos exigem que a Venezuela apenas negoceie o seu crude com empresas indicadas pela Casa Branca, que deverão ainda tomar conta de todo o potencial petrolífero daquele país, cujas reservas, as maiores do mundo, passam os 300 mil milhões de barris.
Carroça â frente dos bois
Até ver, Trump parece estar a colocar a carroça à frente dos bois, porque a nova Presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, quando tomou posse, jurou pela Constituição e pela memória de Hugo Chavez, o fundador do “Chavismo”, que o seu país “não mais será escravo de nenhum império” e que “nunca cederá a soberania sobre os seus recursos económicos e naturais”.
Recorde-se que Trump também ameaçou destronar o Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, a quem acusa de ser, tal como Nicolas Maduro, líder do tráfico de drogas para os Estados Unidos, e de tomar o México pela força se a droga não deixar de fluir deste país para norte. Numa segunda vaga de “aquisições” ao que tudo indica.
Para já, apenas a Venezuela provou o sabor da “oferta” irrecusável de Donald Trump, mas, ainda assim, sem que esteja claro que as coisas estejam a correr como planeado em Washington, porque sucedem-se notícias de que petroleiros e outros navios russos e chineses estão a entrar e sair da Venezuela ignorando as ameaças norte-americanas.
E há mesmo, como está a emergir nos canais das redes sociais, informações de que alguns destes navios estão a levar quantidades gigantescas de divisas depositadas no Banco Central e ouro, cujas reservas, de 161 toneladas, são as maiores da América Latina, para a Rússia, deixando-as salvaguardadas do “apetite” de Trump.
Além de que os petroleiros russos e chineses estão, ainda segundo as mesmas fontes, a extrair todo o petróleo armazenado no país e que não estava a ser comercializado devido às sanções ocidentais…
Moscovo e Pequim mostram as garras
A par destas movimentações, a China e a Rússia começaram a tomar posição sobre a intervenção norte-americana em Caracas, com Pequim a exigir a libertação imediata de Maduro e a garantir que nunca reconhecerá qualquer dimensão de comando dos EUA na Venezuela, enquanto Moscovo anunciou a sua “total solidariedade” com Caracas.
O embaixador russo nas Nações Unidas, Vassily Nebenzia, ao discursar no Conselho de Segurança, apelidou o sequestro de Maduro como “um crime cínico que não pode ser justificado”, enquanto o chinês, Sun Lei, avisou que a acção dos EUA “ameaçam a estabilidade e a paz na região”.
Ainda mais vigoroso, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia disse, em comunicado, que a Federação Russa está ao lado do velho e sólido amigo que é a Venezuela “face à brutal intervenção militar neocolonial e às ameaças neocoloniais” de dominar um país soberano.
“Moscovo reafirma a sua total solidariedade com o Governo e o povo venezuelano”, avisa o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo em comunicado citado pelos media estatais na capital russa, sublinhando que “a Federação Russa está disponível para dar todo o suporte necessário” à Venezuela para “determinar o seu destino sem interferências externas”.
Fonte: NJ



