Publicidade
NotíciasOpinião

Pressão do GAFI pode levar autoridades a avançarem para Sonangol após caso AGT

Saída da lista cinzenta até Janeiro de 2027 aumenta pressão por mais investigações, condenações e confisco de activos.

Depois das recentes condenações no mediático caso AGT, as autoridades angolanas poderão alargar o cerco investigativo a outras instituições estratégicas do Estado, com a Sonangol a surgir no radar das autoridades por suspeitas de eventuais crimes financeiros, apurou o Correio da Kianda junto de fontes ligadas ao sector.

A movimentação surge numa altura em que Angola intensifica os esforços para cumprir o plano de acção exigido pelo Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), no âmbito da retirada do país da chamada “lista cinzenta” até Janeiro de 2027.

O reforço das investigações acontece depois de relatórios internacionais terem apontado a necessidade de Angola aumentar confiscos, investigações, condenações e controlo sobre sectores considerados sensíveis, incluindo empresas públicas e organizações sem fins lucrativos.

Fontes próximas ao processo admitem que, após o precedente aberto com a Administração Geral Tributária (AGT), “é natural que outros dossiês ligados à gestão financeira pública sejam revisitados”, sobretudo em sectores onde circulam grandes volumes de recursos.

A Sonangol, “a galinha dos ovos de ouro” da economia nacional, poderá ser um dos próximos focos, caso os indícios preliminares evoluam para matéria criminal.

Meta é mostrar resultados ao GAFI

A pressão sobre as autoridades judiciais e financeiras tem aumentado desde que Angola entrou oficialmente para a lista de monitorização reforçada em Outubro de 2024.

A necessidade de apresentar resultados concretos, incluindo processos autónomos de branqueamento de capitais, tornou-se um dos pilares da estratégia nacional para convencer o GAFI de que o país está a melhorar a eficácia do sistema de prevenção e combate ao crime financeiro.

Neste contexto, especialistas defendem que processos envolvendo entidades de maior dimensão podem funcionar como “sinal político e técnico” de comprometimento institucional.

Mudanças na UIF reforçam nova fase

Os esforços de conformidade também provocaram mudanças na liderança da Unidade de Informação Financeira.

Em 24 de Fevereiro de 2026, o Presidente da República nomeou Fausta Raul Muzumbi como nova directora-geral da Unidade de Informação Financeira, em substituição de Gilberto Moisés Moma Capeça, exonerado do cargo.

A mudança é vista por analistas como parte da reorganização institucional para acelerar o cumprimento das recomendações internacionais, sobretudo nas áreas de inteligência financeira, rastreamento de activos e cooperação com organismos externos.

A nova direcção da UIF terá a missão de consolidar os mecanismos tecnológicos de monitorização, aprofundar a identificação do beneficiário efectivo e garantir maior robustez na prevenção do financiamento do terrorismo e do branqueamento de capitais.

Sonangol pode ser teste decisivo

Caso as suspeitas envolvendo a Sonangol avancem, o processo poderá transformar-se num dos testes mais importantes à capacidade do Estado angolano de provar ao GAFI que consegue actuar sobre instituições de peso político e económico.

Para observadores do sector, o país joga nesta fase não apenas a reputação internacional do sistema financeiro, mas também a confiança dos parceiros externos e investidores.

Com o prazo de Janeiro de 2027 a aproximar-se, o Estado angolano parece determinado a demonstrar que o combate aos crimes financeiros deixou de ser apenas legislativo para produzir efeitos práticos e judiciais.

Fonte: CK

Artigos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo