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Presidente da República defende aposta na exportação de refinados do petróleo

O Presidente da República disse que é incompreensível que um País como Angola, o segundo maior produtor de petróleo a sul do Sahara, depois da Nigéria, tivesse apenas a refinaria de Luanda como única unidade de refinação.

“Em boa hora tomamos a decisão de criar capacidade para refinar uma boa parte do crude que nós exploramos”, referiu João Lourenço, que esteve na província do Bengo, para se inteirar do andamento das obras de construção do Terminal Oceânico da Barra do Dande, Defendeu que a política do Executivo é exportar, de preferência produtos refinados e não apenas o petróleo em bruto.

“A Importância estratégica deste empreendimento e das refinarias em construção no País é contribuir para a exportação de derivados de petróleo. Esta infra-estrutura surge, precisamente, para assegurar que não faltem produtos refinados para consumo no país e também para termos maior oferta de produtos refinados para exportação”, afirmou.

Para além da refinaria do Lobito, o Presidente da República disse que vai surgir também a de Cabinda, cuja data de inauguração está prevista para o final do próximo ano, mesma altura da conclusão das obras do Terminal Oceânico da Barra do Dande Em relação à refinaria do Soyo, o Chefe de Estado disse que a qualquer momento as obras vão arrancar. “Na refinaria do Lobito, que já retomamos, e caso não tenhamos constrangimentos de ordem orçamental, o que está por se fazer é algo que se faz em cerca de três anos”, disse João Lourenço, que manifestou-se satisfeito pelo nível de execução das obras do Terminal Oceânico da Barra do Dande.

Refira-se que a infra-estrutura, de grande dimensão, vai servir para armazenar produtos refinados de petróleo (gasolina, diesel e gás), assegurando perto de 4 mil empregos directos.

O Estado investe na construção desta obra acima de 600 milhões de dólares. Dados da construtora indicam que este terminal marítimo será o maior parque de armazenamento de combustível do país, com uma área equivalente a 22 campos de futebol, e que é uma prioridade para a economia angolana, porque permitirá aumentar significativamente as exportações. O empreendimento terá capacidade para 580 mil metros cúbicos de combustíveis líquidos (gasolina e gasóleo) e 102 mil metros cúbicos de gás liquefeito de petróleo. Segundo o director do projecto, Mauro Graça, as obras do Terminal Oceânico da Barra do Dande, no Bengo, já atingiram 63% de execução física.

A situação actual

Angola é um dos produtores e exportadores que mais dependem da matéria-prima em todo o mundo, devido à escassa diversificação económica e vive actualmente um momento de alívio limitado com a consolidação dos preços do Brent acima dos 90 USD, porque permite diluir os efeitos devastadores da crise cambial, reduz o impacto da quebra na produção e gera superavit face ao valor de 75 USD por barril com que foi elaborado o OGE 2023.

Se continuar assim por muito tempo, as consequências podem ser bastante positivas porque o sector petrolífero continuará a gerar superavit que serve ao Governo para investir além do básico. E os riscos de subfinanciamento do Estado face aos compromissos assumidos no OGE, podem ser reduzidos, devido ao papel insubstituível, para já, das receitas petrolíferas no PIB.

O petróleo representa hoje, ainda, mais de 90% das suas exportações, corresponde até 35% do PIB e garante cerca de 60% dos gastos de funcionamento do Estado. Aliás, o Governo de João Lourenço tem ainda como motivo de preocupação uma continuada redução da produção de petróleo, que se estima que seja na ordem dos 20% na próxima década, estando actualmente pouco acima dos 1,1 milhões de barris por dia (mbpd), muito longe do seu máximo histórico de 1,8 mbpd em 2008.

Por detrás desta quebra, entre outros factores, o desinvestimento em toda a extensão do sector, deste a pesquisa à manutenção, quando se sabe que o offshore nacional, com os campos a funcionar, está em declínio há vários anos devido ao seu envelhecimento, ou seja, devido à sua perda de crude para extrair e as multinacionais não estão a demonstrar o interesse das últimas décadas em apostar no país.

A questão da urgente transição energética, devido às alterações climáticas, com os combustíveis fosseis a serem os maus da fita, é outro factor que está a esfumar a importância do sector petrolífero em Angola.

Fonte: NJ

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