
A marcha de protesto contra o abuso sexual de mulheres e crianças, convocada para este sábado (03) em Angola, foi impedida pelas autoridades policiais, que alegaram falta de autorização formal para a realização da manifestação.
Vários cidadãos que se encontravam concentrados no Largo do Mercado de São Paulo, em Luanda, foram dispersos por um forte dispositivo da Polícia Nacional montado no local, impedindo o início da marcha. A intervenção policial gerou indignação entre os participantes e ativistas ligados à causa.
Em declarações à DW, a activista Rosa Conde, porta-voz da organização do protesto, criticou duramente a actuação das autoridades, acusando o Governo de banalizar os crimes de violência sexual no país e de silenciar iniciativas cívicas que visam chamar atenção para um problema grave e recorrente na sociedade angolana.
Segundo uma nota de repúdio divulgada nas redes sociais, a organização afirma ter tentado entregar previamente uma carta ao Governo Provincial de Luanda e ao Comando da Polícia Nacional, informando sobre a realização da marcha. No entanto, ambas as instituições ter-se-iam recusado a receber o documento, levando os organizadores a deixá-lo nas instalações, apesar da não aceitação formal.
O protesto foi motivado pelo caso de Belma, uma adolescente de 15 anos que alegadamente foi abusada sexualmente por dois homens no município de Viana. O crime chocou a opinião pública após a divulgação de um vídeo da agressão nas redes sociais, provocando uma onda de indignação nacional e reacendendo o debate sobre a violência sexual, a proteção de menores e a resposta das autoridades diante deste tipo de crime.
A dispersão da marcha reacendeu ainda discussões sobre o direito à manifestação, liberdade de expressão e o papel do Estado na prevenção e combate à violência sexual em Angola



