
O Presidente da República, João Lourenço, aproveitou o discurso de encerramento do seu mandato à frente da organização dos estados de África, Caraíbas e Pacífico para lançar um alerta sobre o actual rumo das relações internacionais, que, segundo o chefe de estado, estão a ser dominadas por uma lógica de força que ameaça a paz e a estabilidade mundial
Ao falar no Sábado, em Malabo, República da Guiné Equatorial, o Chefe de Estado angolano descreveu um cenário global marcado pela crescente banalização de intervenções militares e pela disputa por recursos estratégicos, e advertiu que o mundo “transformou-se numa selva”, onde potências recorrem a justificações unilaterais para atacar outros Estados, à margem do Direito Internacional.
Um dos pontos mais altos do discurso foi a crítica directa ao conceito de “ataque preventivo”, que João Lourenço considera inexistente à luz das normas internacionais. Sem citar países específicos, o estadista angolano evocou exemplos como o Guerra do Iraque e as tensões com o Irão para ilustrar o que classificou como decisões baseadas em presunções e interesses estratégicos, sobretudo ligados ao controlo do petróleo, gás e minerais críticos.
Para o Presidente, esta tendência representa um retrocesso perigoso e abre caminho à generalização dos conflitos, com impacto directo na segurança colectiva.
Fonte: OPAÍS



