
Um empresário angolano, supostamente militar das Forças Armadas Angolanas, está a ser acusado de burlar um empresário guineense que ocupa, em regime de arrendamento, um estabelecimento comercial no bloco 4, da Vida Pacífica, no Zango 0, município de Viana, em Luanda.
O cidadão estrangeiro, que se identifica como Dialó Boubacar, residente no projecto habitacional da Vida Pacífica, há 10 anos, comerciante de profissão, é proprietário da empresa F-Binta, dos sectores do comércio e pastelaria.
Contou que em Abril de 2023, encontrou dois estabelecimentos comerciais em obras, pelo que na conversa com o senhor Victorino Palavela ficou acordado que assumiria os custos do término, visto que o alegado proprietário dizia não ter dinheiro para a conclusão da empreitada.
Entretanto, interessado no espaço, depositou, 1.200.000 mil kwanzas, correspondente a três meses de arrendamento para duas lojas.
“Depois disso, ele disse para eu fazer uma transferência na conta das organizações Palavante”, disse, acrescentando que o alegado dono, prometera para breve elaborar o contrato.
Dialó conta que não duvidou da idoneidade do indivíduo, a julgar pela dimensão da empresa do alegado dono, por isso aceitou efectuar outras transferências de três milhões, no primeiro dia, 1.100.000 (um milhão e cem mil) no dia seguinte e de 400 mil, totalizando 4.500.000 (quatro milhões e quinhentos mil) Kwanzas, tal como os comprovativos de transferência a que à imprensa teve acesso.
Entretanto, depois de totalizar valor, Dialó conta que confrontou o alegado dono, Victorino Kipalavela sobre a titularidade do espaço, para a segurança dos seus investimentos o que lhe foi negado, conforme narrou.
Dialó acrescentou ainda que tão logo terminaram as obras, endereçou duas cartas ao senhor Victorino Kipalavela, uma com as facturas de todos os gastos feitos na empreitada, cujos custos ficaram em mais de 19 milhões de kwanzas.
Na segunda carta anunciava a data que pretendia inaugurar os dois estabelecimentos. Um mini-mercado e uma pastelaria.
Em lágrimas, o comerciante Dialó narrou que viu-se surpreendido quando na reunião em resposta a uma das suas cartas recebeu a informação de que todo o valor que até então tinha gasto, nada tinham a ver com o contrato, e sim, estavam enquadrados nas acções de benfeitorias.
Quando anunciou que tinha feito altos gastos, foi informado que o contrato deveria ser anulado e que perderia os valores por si investidos.
“A partir daí iniciou o desentendimento entre eu e ele. Eu não tinha conhecimento da língua portuguesa e das leis angolanas e eu estava lá sozinho contra mais de seis pessoas, e fiquei paciente”, disse.
Uma semana depois recebeu, numa sexta-feira, outra carta a convocá-lo novamente para uma reunião, numa hora que coincidiu com a hora de ir rezar, tendo por isso pedido que a reunião devesse ter lugar às 15 horas, o que chateou Victoriano Kipalavela, gerando um conflito que levou o alegado proprietário a bloquear os acessos aos estabelecimentos comerciais.
“Me ameaçou […] ‘Eu vou te mostrar que sou militar. Além disso eu vou te matar. Caso não, vou te mandar fora de Angola’”, reproduziu as ameaças.
Além do bloqueio dos acessos, Dialó revelou também que o alegado dono cortou a luz eléctrica e a corrente de água, mesmo tendo as contas em dia. Até mesmo o Posto de Transformação que a ENDE instalou no local por conta do estabelecimento comercial foi bloqueado.
Dialó Boubacar disse que a sua luta agora é apenas identificar o legítimo proprietário a quem pagar e continuar os seus investimentos empregando angolanos.
Garantiu, por outro lado, que o caso já repousa junto da justiça angolana e há duas semanas foi chamado na Procuradoria-Geral da República (PGR) onde foi prestar depoimento.
“Quero continuar a trabalhar e que o Estado angolano veja a minha situação. Quero continuar a trabalhar. Quero pagar a quem de direito. Pagar ao estado ou àquele que o Estado me indicar, mas quero continuar a trabalhar aqui na Vida Pacífica ou noutros espaços.
Questionado do valor investido, Dialó revelou que os mais de 19 milhões de kwanzas que investiu na obra equivalem a uma renda de cerca de cinco anos de arrendamento.
Aos soluços de emoção, Dialó acrescentou que tem fé na justiça e nas autoridades angolanas, que vão agir em conformidade com a lei.
Contactado via telefónica, o acusado não negou nem confirmou as acusações, tendo afirmado que o empresário guineense deve recorrer à justiça para apresentar uma queixa sobre as ameaças de mortes de que é vítima.
Victorino Kipalavela referiu ainda, que Dialó Boubacar deve comprovar documentalmente as suas denúncias sobre a burla.
Sobre as demais questões da acusação do empresário guineense contra o empresário angolano, o acusado disse que têm de ser um frente a frente diante dos jornalistas para o esclarecimento que se impõe.
Fonte: CK