
Portugal registou, entre 2019 e 2023, um aumento expressivo de infecções sexualmente transmissíveis (IST). Os casos de sífilis cresceram 140% nesse período. Em 2023, foram ainda diagnosticados 1.404 casos de clamídia, 2.280 de gonorreia e 1.153 de sífilis. No ano seguinte, em 2024, o país registou 997 casos de VIH.
No Hospital de São José, em Lisboa, as consultas de despiste de IST passaram de cerca de duas mil para quase seis mil por ano, entre 2018 e 2025. A médica Cândida Fernandes confirmou o crescimento ao Jornal de Notícias. Outras unidades de saúde do país acompanham a mesma tendência: a Unidade Local de Saúde de Coimbra regista aumentos entre 20% e 30%, e outras unidades reportam crescimento sustentado.
As autoridades de saúde pedem cautela na leitura dos dados. Parte do aumento é explicada pelo reforço do rastreio, que permite detectar mais casos. Contudo, os especialistas não descartam mudanças de comportamento como factores contribuintes. Joana Vaz Cardoso, médica de doenças infecciosas da Unidade Local de Saúde de Santo António, no Porto, aponta o uso inconsistente do preservativo, a existência de múltiplos parceiros e as alterações nos padrões de relacionamento.
O fenómeno não é exclusivo de Portugal. Em toda a Europa, os números sobem. Em 2024, o Reino Unido, França e a Dinamarca registaram aumentos de IST, incluindo na faixa etária acima dos 65 anos, segundo o canal Euronews. Os dados são acompanhados pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).
Os especialistas sublinham a necessidade de reforçar a educação sexual, tanto nos jovens como nas gerações mais velhas, onde a literacia em saúde sexual continua a ser insuficiente.
Fonte: SICNOTICIA



