África na Copa do Mundo 2026: Um desempenho impactante

Dez representantes da CAF estiveram presentes nessa edição – um número inédito – e deram orgulho aos seus respectivos países.
A Copa do Mundo da FIFA 2026™ contou com dez seleções africanas classificadas, o dobro das seleções presentes no Catar, quatro anos atrás. E, com esta quantidade de representantes, tiveram o dobro de oportunidades de fazer o futebol africano brilhar no palco mundial – e não decepcionaram nesse quesito.
No início dessa competição que já conta com quase 100 anos, as equipes da Copa Africana de Nações totalizavam 37 vitórias; apenas nessa edição, conseguiram garantir mais 11. Embora a África tenha passado com um desempenho de quase 100% na fase de grupos, com 9 das 10 seleções classificadas, nem todas tiveram o mesmo sucesso. O FIFA.com faz um balanço.
Um torneio decepcionante
A Tunísia chegou ao Mundial após uma campanha de classificação sensacional, com nove vitórias e um empate, sem sofrer um único gol. No comando da equipe desde janeiro, Sabri Lamouchi foi demitido após a derrota por 5 a 1, na estreia contra a Suécia. Hervé Renard foi seu sucessor, mas não conseguiu colocar sua experiência em prática na competição: seus jogadores perderam as duas outras partidas do Grupo F, contra o Japão (4 a 0) e Holanda (3 a 1).
Uma campanha surpreendente
Na sua primeira participação, a seleção de Cabo Verde trilhou uma jornada sensacional, enfrentando de cabeça erguida três ex-campeãs do mundo. Após surpreender em um empate contra a Espanha, graças aos milagres do seu fenomenal goleiro Vozinha (0 a 0), os Tubarões Azuis conseguiram segurar o Uruguai (2 a 2) e encaixar o terceiro empate contra a Arábia Saudita (0 a 0). Eles estavam prestes a alcançar um feito incrível contra a Argentina, segurando os detentores do título até a prorrogação, antes de sofrer o 3 a 2.
Despedida com um gosto amargo
O Egito também fez uma Copa incrível: com dois empates – contra a Bélgica (1 a 1) e a RI do Irã (1 a 1) – e uma vitória por 3 a 1 contra a Nova Zelândia, os Faraós avançaram com confiança para as eliminatórias. Após conseguirem eliminar a Austrália nos pênaltis pelos 16-avos de final (1 a 1 após a prorrogação, 4 a 2 nos pênaltis), finalizaram sua jornada em uma partida incrível contra a Argentina nas oitavas de final. Aos 34 minutos do segundo tempo, eles superavam a detentora do título por 2 a 0, até que Cristian Romero e Lionel Messi conseguiram o empate em quatro minutos e Enzo Fernández concluiu para aplicar uma derrota cruel nos acréscimos.
Não conseguindo repetir sua vitória histórica de 2002, a seleção do Senegal começou com uma derrota por 3 a 1 contra a França. Em seguida, os Leões de Teranga enfrentaram a Noruega e sofreram uma derrota com dois gols de Erling Haaland (3 a 2) e conseguiram uma vitória contundente contra o Iraque (5 a 0). Nos 16-avos de final, estavam prestes a garantir a classificação ao abrir 2 a 0 contra a Bélgica, mas, com quatro minutos restantes no tempo regulamentar, sofreram dois gols em três minutos, levando o jogo à prorrogação. Em seguida, sofreram a virada em um pênalti convertido por Youri Tielemans, a poucos instantes da disputa por pênaltis (120+5 minutos).
Costa do Marfim protagonizou um dos jogos mais emocionantes desse mundial, graças às suas joias Yan Diomandé e Amad Diallo. O jovem do Manchester United marcou o único gol da primeira partida contra o Equador, mas nada pôde fazer diante da reação da Alemanha, que venceu com dois gols de Deniz Undav, sendo o segundo deles nos acréscimos (2 a 1). Nicolas Pépé conseguiu o mesmo contra Curaçau (2 a 0) e Diallo também balançou as redes contra a Noruega, que acabou marcando um gol no final da partida para encerrar a jornada dos marfinenses nos 16-avos de final (2 a 1).
A ambiciosa seleção do Marrocos, semifinalista na Copa do Catar 2022™, teve a jornada mais próspera, chegando até as quartas de final antes de parar na derrota contra a França por 2 a 0, saindo do torneio de cabeça erguida. Os Leões do Atlas começaram muito fortes, conseguindo um empate contra o Brasil e uma vitória contra a Escócia, com um gol de Ismael Saibari no início do jogo (1 a 0). O mesmo jogador converteu o pênalti decisivo contra a Holanda nos 16-avos (1 a 1 após a prorrogação, 3 a 2 nos pênaltis), após passar pelo Haiti com tranquilidade na fase de grupos (4 a 2). No entanto, os companheiros de Azzedine Ounahi, autor de dois gols contra o Canadá na rodada seguinte (3 a 0), não conseguiram impor seu estilo de jogo envolvente contra os Bleus.
Um torneio à altura
No seu retorno à Copa do Mundo pela primeira vez desde 2014, a Argélia trilhou uma jornada honrosa. Mesmo que os argelinos tenham tido uma estreia complicada contra a dominância de Lionel Messi, que marcou um hat-trick (3 a 0), eles conseguiram se reerguer na virada contra a Jordânia (2 a 1). No entanto, sua fase de grupos complicou com um empate cruel: Riyad Mahrez pensava ter conseguido a vitória ao marcar dois gols (um nos acréscimos), mas Sasa Kalajdzic arrancou um ponto para a Áustria nos últimos segundos da partida. Classificados para os 16-avos de final, os argelinos encerraram sua campanha contra uma surpreendente equipe da Suíça (2 a 0).
A seleção de Gana também não tem do que se envergonhar em sua campanha: após uma vitória por 1 a 0 no sufoco contra o Panamá, os Estrelas Negras foram heroicos ao segurar a Inglaterra em um empate por 0 a 0, apesar da intensa pressão ofensiva inglesa, que finalizou 19 vezes contra apenas duas de Gana. Em seguida, foram derrotados pela Croácia após terem conseguido o empate (2 a 1) e, passando para a fase seguinte, John Arias encerrou a participação dos ganeses na vitória da Colômbia por 1 a 0.
Classificada na repescagem, a RD do Congo estreou com confiança após um empate contra Portugal (1 a 1), mas sofreu uma derrota por 1 a 0 contra a Colômbia. Após já ter marcado na primeira partida, Yoane Wissa conseguiu dois gols contra o Uzbequistão (3 a 1) para classificar os Leopardos para os 16-avos de final. Apesar de Brian Cipenga ter aberto o placar rapidamente contra a Inglaterra, dois gols de Harry Kane acabaram com o sonho dos congoleses.
Para finalizar, a África do Sul conseguiu enfrentar de peito aberto dois dos três países-sede desse torneio, tendo a honra de protagonizar a partida de inauguração do torneio, em que acabou derrotada por 2 a 0 pelo México com nove jogadores em campo. Mais tarde, Teboho Mokoena conseguiu o empate por 1 a 1 contra a Tchéquia com um pênalti aos 83 minutos e, depois, Thapelo Maseko garantiu a vitória por 1 a 0 contra a República da Coreia. Nas oitavas de final, os Bafana Bafana resistiram ao Canadá até os acréscimos, mas acabaram derrotados com um gol de Stephen Eustáquio aos 47 minutos do segundo tempo.
Fonte: FF



