Rússia e China bloqueiam resolução da ONU sobre o Estreito de Ormuz

Um total de 11 dos 15 membros apoiaram a resolução, que já havia sido atenuada para evitar vetos.
A Rússia e a China vetaram uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) destinada a proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz.
O projeto de lei, que foi votado na terça-feira, foi proposto pelo Bahrein. Onze dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU votaram a favor e dois se abstiveram. No entanto, a Rússia e a China afirmaram que a medida era tendenciosa contra o Irã.
Nos termos da resolução, os estados afetados teriam sido solicitados a “coordenar esforços, de natureza defensiva, proporcionais às circunstâncias, para contribuir para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz”.
A navegação pelo estreito canal, por onde antes passava um quinto das remessas globais de petróleo e gás, praticamente parou depois que Teerã ameaçou atacar embarcações em resposta à guerra declarada contra o Irã pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
O bloqueio fez com que os preços dos combustíveis disparassem em grande parte do mundo e levou alguns países, principalmente na Ásia, a impor restrições ao consumo e ao racionamento de suprimentos.
O prazo estabelecido pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para que o Irã reabra a passagem marítima, sob pena de enfrentar bombardeios ainda piores, expira ainda nesta terça-feira, após ele ter emitido repetidamente – e adiado – ameaças semelhantes.
O embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, condenou os vetos russo e chinês, afirmando que eles representam “um novo nível de baixeza”, já que o fechamento do estreito pelo Irã está impedindo que ajuda médica e suprimentos cheguem às crises humanitárias no Congo, Sudão e Gaza.
“Ninguém deveria tolerar isso. Eles estão ameaçando a economia global com armas. Mas hoje, a Rússia e a China toleraram isso.”
A França lamentou os vetos. “O objetivo era incentivar medidas estritamente defensivas para garantir a segurança do estreito sem que se chegasse a uma escalada”, disse o embaixador francês na ONU, Jérôme Bonnafont.
A Rússia e a China afirmaram que a resolução era tendenciosa contra o Irã.
O enviado da China à ONU, Fu Cong, disse que adotar tal projeto de lei quando os EUA ameaçavam a sobrevivência de uma civilização teria enviado a mensagem errada.
O embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, disse que a Rússia e a China estavam propondo uma resolução alternativa sobre a situação no Oriente Médio, incluindo a segurança marítima.
O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, elogiou as ações da China e da Rússia, afirmando: “A ação deles hoje impediu que o Conselho de Segurança fosse usado indevidamente para legitimar a agressão.”
A redação da resolução foi objeto de negociações nos bastidores durante dias.
Uma versão anterior do documento fazia referência explícita ao Capítulo 7 da Carta da ONU, que concede ao Conselho de Segurança da ONU a autoridade para tomar medidas que vão desde sanções ao uso da força militar.
Mas, após a oposição da China, o Bahrein enfraqueceu significativamente sua proposta, abandonando qualquer autorização para o uso da força.
Uma referência explícita à aplicação vinculativa, incluída em uma versão anterior, também foi omitida.
Fonte: ALJAZEERA



