Paul Kagame considera insultos sanções dos EUA

O Presidente Paul Kagame descreveu as sanções dos EUA como “insultos lançados na cara” do Rwanda e disse que Washington está a exercer “forte pressão” sobre Kigali, mas a tratar a República Democrática do Congo (RDC) “com delicadeza”.
Os Estados Unidos anunciaram sanções no início de Março contra o exército rwandês pelo seu apoio ao grupo antigovernamental M23, que assumiu o controlo de vastas áreas do Leste da RDC, rica em minerais, desde 2021.
A RDC e o Rwanda assinaram um Acordo de Paz em Dezembro, a pedido do Presidente norte-americano, Donald Trump, na mais recente tentativa de pôr fim ao conflito, mas os confrontos continuaram na linha da frente.
“As sanções e ameaças não são mais do que insultos lançados na cara do meu país”, disse Kagame, numa entrevista ao portal de notícias Jeune Afrique.
O Governo norte-americano “não deve dar a impressão de exercer uma forte pressão sobre um, enquanto trata o outro com delicadeza”, afirmou. Kagame afirmou que o Rwanda estava a cumprir “todas as suas obrigações nos termos dos acordos” assinados em Washington, ao contrário da RDC, que, segundo o Chefe de Estado rwandês, “só as cumpre parcialmente”.
O M23 avançou no início de 2025, capturando as principais cidades do Leste, Goma e Bukavu. Dias após a assinatura do Acordo de Paz mediado pelos EUA, o grupo armado tomou outra cidade importante, Uvira, na fronteira com o Burundi, provocando uma resposta irada por parte dos Estados Unidos.
O Rwanda insiste que a sua participação no Leste da RDC se limita a ajudar a proteger o país contra uma milícia inimiga formada por restos dos envolvidos no genocídio dos tutsis, no Rwanda, em 1994.
“Não esperem que eu suspenda as nossas medidas de defesa, enquanto não fazem nada para impedir o que ameaça o meu país”, disse Kagame na entrevista.
O Presidente rwandês pediu às gigantes petrolíferas TotalEnergies, Exxon Mobil e Eni que “encontrem uma forma de financiar a segurança necessária” na província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, rica em petróleo, mas instável.
No mês passado, o Rwanda ameaçou retirar as suas tropas que combatem os insurgentes islamitas de Cabo Delgado caso o financiamento não fosse garantido pela União Europeia, que financia o destacamento.
Reintegração de elementos das FDLR
Depois de terem passado vários meses no centro de desmobilização de Mutobo, 214 pessoas ligadas a grupos armados foram oficialmente reintegradas, nesta semana, no Rwanda.
Segundo as autoridades rwandesas, dentre as quais estão suspeitos de pertencerem às FDLR, rebeldes que operam no Leste da República Democrática do Congo (RDC) há quase 30 anos. O grupo é composto tanto por ex-combatentes quanto por civis associados a estes movimentos armados.
Durante a sua estadia em Mutobo, participaram num programa de reintegração centrado na educação cívica, no apoio social e na preparação para o regresso às suas comunidades de origem. De acordo com a Comissão de Desmobilização e Reintegração do Rwanda, mais de 12 mil pessoas foram assistidas desde 2001, através deste programa nacional.
A questão das FDLR, um grupo armado formado, em parte, por antigos líderes e participantes no genocídio de 1994 contra os tutsis, continua no centro das preocupações de segurança de Kigali, um tema frequentemente destacado, incluindo durante as recentes negociações diplomáticas realizadas em Washington. Para a presidente da Comissão, Valérie Nyirahabineza, o sucesso da reintegração depende também da atitude das comunidades de acolhimento.
A sua mensagem é clara: “É essencial preparar não só as famílias, mas também comunidades inteiras para os acolher e deixar de os ver apenas como combatente, uma vez que concordam em depor as armas, devemos lhes dar o benefício da dúvida”.
No fim do programa, os beneficiários regressam às suas aldeias de origem. Espera-se que mais de metade das 214 pessoas reintegradas, nesta semana, regressem ao distrito de Rubavu, na fronteira com Goma.
Fonte: JA



