
O Ministério Público (MP) revelou em tribunal detalhes sobre o alegado estilo de vida luxuoso mantido por alguns dos arguidos no mediático caso AGT/2025, processo em que funcionários da Administração Geral Tributária são acusados de defraudar o Estado angolano em mais de 100 mil milhões de kwanzas.
Durante a sessão de julgamento, o magistrado do MP, Edson Faria, descreveu vários episódios que, segundo a acusação, demonstram como parte dos valores desviados terá sido utilizada em gastos extravagantes e entretenimento de alto custo.
De acordo com o Ministério Público, um dos arguidos chegou a gastar cerca de sete milhões de kwanzas numa única noite de diversão, valor pago para satisfazer prazeres pessoais.
A acusação refere igualmente que alguns dos envolvidos circulavam em viaturas avaliadas em vários milhões de kwanzas e realizavam frequentes operações de compra de divisas no mercado informal do Mártires de Kifangondo, em Luanda.
Segundo o MP, os arguidos deslocavam-se ao local transportando caixas térmicas e caixas de papelão repletas de dinheiro, utilizadas para adquirir moeda estrangeira.
O magistrado afirmou ainda que os implicados agiam convencidos de que os montantes desviados não eram significativos, alegando que “o país é rico”, circunstância que, de acordo com a acusação, acabou por transformar a fraude numa prática recorrente.
O Ministério Público sublinhou também que os arguidos eram funcionários bem remunerados, o que, na perspetiva da acusação, torna o alegado esquema ainda mais grave por representar uma quebra de confiança perante o Estado e os cidadãos.
“Estes funcionários defraudaram a expectativa dos angolanos que acreditaram que eram competentes e bons funcionários”, afirmou o magistrado em tribunal.
A acusação acrescenta que um dos arguidos terá se apropriado de mais de dois mil milhões de kwanzas entre 2022 e 2025, estando inclusive a preparar a aplicação de parte dos valores em criptomoedas.
Segundo o Ministério Público, os factos imputados aos arguidos estão sustentados por provas documentais e periciais constantes dos autos.
O julgamento do caso AGT prossegue nos próximos dias e continua a atrair atenção pública, devido à dimensão da alegada fraude e às revelações sobre o uso dos valores desviados.
Fonte: CK



