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Refinaria do Lobito avança só 3% em oito meses

A execução física da Refinaria do Lobito, projecto Sonaref, situa-se actualmente em 26%, mais três pontos percentuais do que os 23% registados em Janeiro, segundo dados avançados pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino de Azevedo, e citados pelo Novo Jornal.

O governante falou aos jornalistas nesta quarta-feira, 9, no termo da visita do Presidente do Botswana, Duma Boko, às instalações do projecto. Segundo Diamantino de Azevedo, os trabalhos seguem dentro do cronograma previsto, com a Sonangol a assegurar, por agora, as despesas correntes da obra. O ministro adiantou ainda a existência de propostas de financiamento e de empresas interessadas em investir no empreendimento.

De acordo com o Novo Jornal, o Governo conta com dois mil milhões de dólares de um sindicato bancário chinês e mais 170 milhões de dólares de bancos comerciais angolanos para financiar a construção da refinaria, num pacote que, apesar de ainda não estar fechado, já não representa, segundo o ministro, motivo de preocupação para o andamento do projecto.

O investimento acumulado na obra ascende actualmente a 1,6 mil milhões de dólares. Em Janeiro, quando o Presidente João Lourenço visitou as instalações, o custo final apresentado pela direcção do projecto era de 6,3 mil milhões de dólares.

Duma Boko manifestou satisfação com o que observou durante a visita, mas Angola aguarda a avaliação formal do Botswana antes de definir os termos de uma eventual participação daquele país no projecto. Diamantino de Azevedo sublinhou que o Governo não pretende precipitar decisões, referindo que já foram ultrapassadas as fases mais complexas da construção.

Já o presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Sebastião Martins, citado também pelo Novo Jornal, confirmou que a entrada em funcionamento da primeira fase da refinaria está prevista para Junho do próximo ano. Segundo o gestor, entre os interessados no financiamento contam-se o Fundo Soberano de Angola, os principais bancos comerciais e o sindicato de bancos chineses. Martins acrescentou que o cumprimento das metas de processamento — 200 mil barris diários — está a ser aferido através de testes aos tanques que recebem água da conduta instalada no Biópio, no Lobito.

As obras foram retomadas em 2023, sob responsabilidade da chinesa CNEC e da brasileira Odebrecht, com fiscalização a cargo da Dar Angola. A conclusão está prevista para 2029, já incluindo a componente petroquímica. Na primeira fase, a refinaria não produzirá gasolina, mas sim nafta, que deverá ser posteriormente transformada em Luanda.

Quanto à Zâmbia, o país recebeu há mais de dois anos garantias de uma quota de participação até 15% no projecto, mas o negócio ainda não se traduziu em investimento concreto.

Antes da retomada dos trabalhos, a Sonangol já havia investido mais de mil milhões de dólares nas infra-estruturas de apoio à refinaria, incluindo terminal marítimo, estradas e terraplanagem de uma área de 3.800 hectares.

Fonte: AN

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