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Nova fábrica de refinação de óleo vegetal avaliada em cerca de 90 milhões de dólares

A mais recente unidade fabril dedicada à refinação, transformação e embalamento de óleo vegetal, gorduras e ingredientes alimentares essenciais, inaugurada nesta Segunda-feira, 9, resultou de um investimento global de aproximadamente 90 milhões de dólares norte-americanos, anunciou o ministro da Indústria e Comércio, Rui Miguêns de Oliveira

Ao proceder às breves considerações, antes do acto de inauguração oficial da Rafinole, complexo fabril localizado no município do Hoji-ya-Henda, em Luanda, o ministro considerou o investimento uma espécie de demonstração da capacidade e confiança do sector empresarial privado no potencial económico de Angola, na sua estabilidade e no seu ambiente.

Detida pelo grupo Angoalissar, a nova unidade de refinação, que prevê reforçar a produção e distribuição do óleo alimentar, possui uma capacidade nominal de produção de cerca de 400 toneladas de óleo por dia, o que corresponde a aproximadamente 100 mil toneladas de óleo por ano. De acordo com o governante, esta capacidade de produção representa cerca de um terço da quantidade que o país costumava importar há cerca de três anos.

”Só para terem uma ideia, esta capacidade de produção é aproximadamente um terço daquilo que costumávamos importar em 2023”, referiu. Rui Miguêns explicou que o complexo fabril opera através de quatro linhas de produção contínuas, dedicadas à refinação e embalamento de óleo alimentar, e que também dispõe de uma capacidade industrial para a produção de cerca de 18 mil toneladas de margarinas e gorduras vegetais anualmente.

Além destes, segundo o ministro, existem também as linhas destinadas à produção de maionese ou de outros condimentos, cuja capacidade projectada ronda cerca de seis mil toneladas anuais.

”A unidade dispõe, ainda, de capacidade para produzir cerca de sete mil toneladas de vinagre, e possui um sistema de engarrafamento de óleo alimentar com capacidade anual de aproximadamente 480 mil toneladas”, avançou.

Apesar de estar a pouco menos de três semanas desde o início da sua fase experimental, o ministro da Indústria e Comércio afirmou que parte das capacidades de produção da referida fábrica já se encontram em operação.

”A refinação, o engarrafamento, funcionam a cerca de 70% da capacidade instalada, enquanto a produção de margarinas e gorduras vegetais a cerca de 40% da sua capacidade”, informou o ministro, acrescentando que “a produção de maionese e outros condimentos encontra-se ainda em fase de instalação com início previsto para Abril de 2026”.

Postos de trabalhos criados No que toca à geração de novos empregos, segundo o ministro Rui Miguêns, actualmente, a Rafinole assegura cento e 30 postos de trabalhos directos, ocupados por cidadãos nacionais, número que o mesmo considerou que poderá subir até ao fim do ano em curso. Prevê-se que este número pode atingir os 400 empregos directos até ao final do presente ano.

Além disso, a actividade desta unidade vai estimular a criação de 2 mil empregos indirectos ao longo da cadeia de valor associada à produção, logística, distribuição e prestação de serviços”, garantiu. De acordo com o responsável máximo do sector da Indústria e Comércio em Angola, esses indicadores contribuem não só para o reforço de competências profissionais como também para a transferência de conhecimento técnico e tecnológico no sector industrial.

Sublinhou ainda que a inauguração desta refinaria se transforma no reflexo de uma política económica mais robusta que tem sido levada a cabo pelo Executivo, com base no Decreto Presidencial n.º 213 de 2023, de 30 de Outubro, orientada para o aumento da produção nacional, para a substituição progressiva e competitiva das importações e para o fortalecimento da indústria transformadora.

”Esta unidade é um resultado primário deste nosso diploma presidencial. Além dos mecanismos de apoio ao investimento, incentivos à cooperação entre produtores industriais e comerciantes, bem como instrumentos de regulação da importação”, realçou.

Aumento da produção nacional de óleo alimentar

Durante o discurso que antecedeu a cerimónia de inauguração da nova fábrica de refinação de óleo alimentar e outros derivados, o ministro da Indústria e Comércio revelou que a produção de óleo alimentar no país registou um crescimento bastante notável. De acordo com Rui Miguêns, somente de Janeiro a Julho de 2024 a produção atingiu cerca de 52 mil quilolitros, o que representa um aumento superior a 100% comparativamente ao período homólogo de 2023.

”Este crescimento permitiu ao país alcançar níveis significativos de autonomia produtiva, com uma capacidade instalada que ultrapassa actualmente 1.300 toneladas diárias de processamento de óleo vegetal”, reforçou.

Destacou que, com a entrada em funcionamento desta nova unidade fabril de refinação de óleo alimentar e com as outras já existentes, o país já tem garantido o reforço na produção e consumo de óleo.

Afirmou que, com a entrada em funcionamento das outras fábricas já inauguradas e com a junção da Rafinole aos operadores do sector, a “maior disponibilidade de óleo alimentar produzido no país contribuiu para uma redução média de cerca de 25% nos preços deste produto no mercado interno”. ”E isto beneficia directamente os consumidores e reforça o poder de compra das nossas famílias, através do crescimento do salário real da nossa população”, considerou.

Indústria transformadora de alimentos cresce cerca de 16% em 2025

Em declarações à imprensa, minutos depois de efectuar o corte de fita e uma visita guiada às áreas de produção da fábrica Rafinole, o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, disse que a economia nacional tem dado passos significativos no que à se gurança alimentar diz respeito. Segundo informações avançadas pelo ministro de Estado, a transformação alimentar no país registou um crescimento de cerca de 16% no último trimestre de 2025, dados que, de acordo com o responsável, continuam a aumentar.

”A indicação que temos já de Janeiro é que, em cima desses 16%, crescemos mais 11%. O que significa mais oportunidades, mais segurança alimentar e um país que continue a fazer o seu percurso de transformação económica”, salientou. José de Lima Massano afirmou que há possibilidades, ainda neste ano, de ser inaugurado mais um parque de transformação alimentar, na província do Namibe.

”Eu tive a oportunidade de visitar esse parque em finais do ano passado, e a expectativa é que, nos próximos meses, possa também entrar em produção. Tal como aconteceu na província de Benguela, vamos ter mais uma unidade de processamento de massa de tomate”, anunciou.

O ministro destacou, igualmente, as iniciativas do Executivo no reforço à produção nacional que têm sido conduzidas pelo FADA, não obstante ter referido que se tratam de unidades de dimensão menor. Sublinhou também o facto de algumas unidades estarem a aumentar as suas capacidades produtivas, com a introdução de mais equipamentos, e as outras que à esta altura já atingiram o limite da capacidade instalada.

No final, o ministro de Estado para a Coordenação Económica defendeu a necessidade de se reduzir ao máximo a dependência das importações das matériasprimas para que o país atinja a auto-suficiência alimentar almejada. Por sua vez, o director-geral da Rafinole, José Oliveira, explicou que se trata de um complexo industrial que depois da produção procede à distribuição para o consumidor final e para outras indústrias.

De acordo com o director, foram investidos 35 milhões de dólares norte-americanos em matéria-prima para refinar, tão logo se começou o projecto, entre óleo de soja e óleo de palma, para se produzir as gorduras e os óleos para o mercado nacional.

Afirmou que, nessa fase, a matéria-prima ainda é importada, todavia, sublinhou que há “um projecto para começar a produzir, no médio prazo, grãos de soja aqui no mercado angolano”.

Fonte: OPAÍS

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