Candidatos a secretário-geral do PS desdobram-se em busca de apoio de históricos do partido

Em Portugal, eleições directas internas no Partido Socialista (PS) estão marcadas para 15 e 16 de Dezembro, e o congresso para o período entre 5 e 7 de Janeiro. Entretanto, há uma receita experimentada por Adalberto Costa Júnior para ascender à liderança da UNITA em Angola, em 2019, que é a busca de apoio de ‘gurus’ do partido, que está igualmente a ser seguida pelos pretendes ao cargo ainda ocupado por António Costa.
A campanha eleitoral no Partido Socialista (PS) português vai ao rubro. Os candidatos a secretário-geral, Pedro Nuno Santos, deputado e antigo ministro das Infra-estruturas, bem como José Luís Carneiro, actual ministro da Administração Interna, buscam ‘desesperadamente’ por apoio de políticos históricos do partido.
A estratégia, que se tornou na mais viável fórmula para o alcance dos objectivos em caso de concorrência eleitoral interna nos partidos, já vem sendo usada por diferentes actores políticos a nível mundial. O mesmo fez Adalberto Costa Júnior, actual presidente da UNITA, maior partido na oposição em Angola, que, antes de apresentar a sua candidatura no congresso de 2019, fez circular uma lista com os nomes dos quadros mais importantes da UNITA que apoiavam a sua candidatura.
O facto tornou-o numa atracção a nível público, e inibiu os seus concorrentes.
No caso vertente, no PS, em Portugal, Pedro Nuno Santos já conseguiu atrair para a sua fileira o experimentado político Alberto Martins, bem como de João Soares e Isabel Soares, ambos filhos de Mário Soares, fundador do PS, e antigo presidente português (já falecido).
Alberto Martins, em Portugal, liderou a revolta académica de 1969 na Associação Académica de Coimbra contra o regime do Estado Novo; foi ministro da Reforma de Estado no segundo governo de António Guterres e ministro da Justiça no segundo executivo de José Sócrates.
Entre outros cargos políticos, foi membro do Secretariado Nacional do PS e presidente do Grupo Parlamentar socialista sob a liderança de António José Seguro. Em 2017, decidiu sair do seu lugar de deputado do PS na Assembleia da República e afastou-se da primeira linha da vida política.
Já Isabel Soares preside a Fundação Mário Soares/Maria Barroso. E à semelhança de Alberto Martins, João Soares também não tem exercido funções políticas públicas depois de ter desempenhado as funções de ministro da Cultura no primeiro governo de António Costa. Dentro do PS, João Soares, antigo presidente da Câmara de Lisboa, apoiou a liderança socialista de António José Seguro entre 2011 e 2014.
Além destes, a candidatura de Pedro Nuno Santos conta também com o apoio do antigo ministro João Cravinho e de Manuel Alegre, membro do Conselho de Estado e candidato nas presidenciais de 2006 e 2011. Há também já a confirmação do apoio de 79 dos 120 deputados do Grupo Parlamentar do PS.
O seu oponente, José Luís Carneiro, actual ministro da Administração Interna, não fica por trás em relação à busca de apoios internos, e já conta com o reforço de António Correia de Campos, ex-ministro da Saúde e eurodeputado; Augusto Santos Silva, presidente da Assembleia República; José António Vieira da Silva, ex-ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social; e Jorge Lacão, antigo vice-presidente da Assembleia República.
Fonte: CK